PROPEDÊUTICA, ANAMNESE , REPERTORIZAÇÃO E TRATAMENTO EM HOMEOPATIA VETERINÁRIA PARA OS ANIMAIS DE COMPANHIA
Maria Leonora Veras de Mello
CRMV-RJ/2165

Todos os passos na consulta homeopática em animais devem ser feitos com paciência, em estado de alerta, receptividade total a qualquer que seja a história relatada e tentando alcançar o máximo de empatia com o nosso paciente, uma vez que sua sensibilidade instintiva já é aguçada, e se tornará ainda mais durante o exame.
Nos mamíferos, de grande, médio ou pequeno porte, as alterações clínicas são muito variadas, mas praticamente todas correlatas às humanas. Curiosamente, nos animais de estimação tem ocorrido paulatinamente, um aumento das enfermidades que também tem aumentado nos seres humanos.

Não há uma explicação exata, mas por quê tantas enfermidades têm surgido nos animais de estimação? Será efeito da endogamia, com aumento da herança de defeitos genéticos? Ou a poluição ambiental crescente, com água e alimentos contaminados com diversos tipos de metais pesados, resquícios de medicamentos e pesticidas, que triplicam a produção de radicais livres intra-celulares, afetando o Sistema Imune?

Ou a convivência mais estreita com seus responsáveis, a criação não mais em casas com grandes quintais, mas dentro de limitados apartamentos, tornando-se mais um membro da família humana? Esta interação constante estaria estimulando o entendimento, com a evolução supra-física ou espriritual? E atrelado a este entendimento dilatado, a vontade estaria despertando, às vezes inadequadamente, gerando conflitos e desequilíbrio?

Não tendo o entendimento e a vontade domicílio físico conhecido, e ao verificarmos nos animais domésticos, sintomas patogenéticos derivados de seu desvio, ficamos refletindo se todo processo evolutivo é doloroso, como acontece quase sempre no Ser Humano. De outra forma, como explicar as enfermidades que acometem nossos animaizinhos de estimação, que muitas vezes os fazem sofrer tanto?

Aí nos deparamos com um possível fato. O ser humano tem na sua evolução dois caminhos: um abrangendo a compreensão pacífica frente a infinitude do Universo, da Lei Perfeita e imutável da Ação e Reação e da outra Lei Perfeita do Progresso inexorável. O segundo caminho, o da Dor, para aqueles que se revoltam e teimam em modificar o que já é. Ela, a Dor, é excelente Mestra. Ocorre que com os animais, lhes é limitado o que tantas vezes utilizamos equivocadamente: o Livre Arbítrio.

Os animais de estimação de hoje, hipertrofiam sua Vontade, enchem-se de desejos (pois lhes oferecemos muitas guloseimas, carinho em excesso, diferentes tipos de comida, roupinhas, passeios, e outros mimos, nocivos se excessivos) e aí, observamos que uns poucos se mantém estáveis, sólidos, estóicos na enfermidade e por isso mesmo superando melhor e mais rápido. E outros, que deixam proliferar a hidra de mil cabeças, saindo de uma entidade clínica para outra, quando não têm suas faculdades psíquicas afetadas. São submetidos às lições da Mestra Dor, mas como despertar seu Entendimento, a compreensão de que a atitude equivocada tem de mudar antes da regeneração tecidual e cessação do desconforto?

Aqui pode entrar em cena o Clínico Veterinário Homeopata, que além de buscar um medicamento que alivie, tenta orientar o responsável para modificar o manejo e hábitos equivocados. Deve buscar ainda entender no animal de estimação o caráter (que muito se deve ao modo como foi criado da infância à fase adulta), o temperamento (que sofre influências genéticas), e além disso estar a par das necessidades nutritivas de cada espécie, gênero e raça.

Para comentar alguns tópicos, podemos iniciar com o aspecto nutricional: atualmente há muitas doenças que ocorrem tanto pela carência, quanto pelo excesso de vitaminas, proteínas, carboidratos e sais minerais. Cabe ao ser humano também administrar esta parte e fornecer uma dieta regular e equilibrada.

O cão adulto possui um metabolismo gerando energia a partir dos carboidratos, como nós. Necessita de duas refeições completas por dia. Mas ele é um glutão por natureza, pedirá ininterruptamente o que gosta, e se o responsável "cair nessa", estará provocando desequilíbrios por super-alimentação.

Já o gato, carnívoro obrigatório, com seu metabolismo todo baseado no consumo de proteínas e não carboidratos, necessita acesso contínuo ao alimento, pois ele come aos poucos, à medida que consome energia. Se for submetido a um jejum forçado, poderá desenvolver uma grave lipidose hepática, e aí não teremos um sintoma por predisposição individual, trata-se de uma tendência de todo o gênero Felix catus domesticus.

Outro ponto vital: reconhecer o sintoma. Como nossos amiguinhos não falam explicitamente, temos que aumentar a atenção e contar com o esclarecimento do proprietário, que nem sempre é claro. Temos por exemplo, a queixa de vermelhidão da esclerótida e lacrimejamento ocular bilateral e pode estar acompanhada de midríase. Pensaremos logo em Belladona, Atropina, Hyosciamus? Mas este sitoma pode também estar ligado a um distúrbio metabólico ou vascular, ou por luxação do cristalino, refletindo-se em glaucoma agudo, que nos cães é urgência cirúrgica!

Vamos pensar em outro cão, apresentando a mesma queixa de vermelhidão da esclerótida e lacrimejamento ocular, mas verificamos que há miose bilateral. Poderá ser uma uveíte, sintoma perfeitamente repertorizável; mas, e se a miose for manifestação de envenenamento por organofosforado, que necessita ser antidotado em curto prazo?

Um pobre animal entra com claudicação nos membros posteriores. O responsável relata "dores reumáticas" e "já teve várias destas crises". Você mentalmente já começa a enumerar os possíveis medicamentos: Rhus tox, Guaiacum, Rhamnus californica... Só que neste meio tempo, ao examinar o animal através de palpação, notará dor que não suporta o toque a cada lado da região toraco-lombar. Após coleta de uma amostra de urina através de sonda uretral, a mesma estará muito escura e turva. É hora então de rever a localização do sintoma e o grau lesional do paciente, prever seu prognóstico, esperar possível agravação, e ter muita atenção na direção que os sintomas vão tomar a partir da medicação. Enfim, qual é o caminho da cura, e qual o do aprofundamento da enfermidade?

Voltemos ao relato do responsável. Após escutar o mesmo, direcionar as perguntas para agravações, melhorias e horários, evitando perguntas óbvias. Tentar buscar as Modalidades, de acordo com o Dr. Boenninghause em seu
"Boenninghausen`s Therapeutic Book":

CASOS CLÍNICOS DE ANIMAIS DE COMPANHIA TRATADOS COM HOMEOPATIA

  1. Nina - canino, Rottweiller - adulta, 2 a 3 anos na época da consulta. Apresentou quadro de degeneração muscular progressiva, diagnosticada por Veterinário Neurologista como miastenia gravis. Na época da consulta, já havia perdido 40% de sua massa muscular, com 15 quilos a menos. No consultório, com a solicitação para se locomover, tropeçou e pareceu extremamente humilhada por isso, ficando de cabeça baixa e não encarando em momento algum. História de brigas familiares com agressão física entre as pessoas, e nestas ocasiões ficava transtornada com a situação, iniciando então o quadro descrito. Não chegou a tomar o medicamento proposto pelo neurologista. Foi prescrito Ignatia 30CH e fez uso da mesma semanalmente por cerca de 3 a 4 meses com remissão total dos sintomas. A situação familiar foi estabilizada por respeito ao animal. Os sintomas que foram utilizados para chegar à Ignatia foram: Reservado, Sensível_honra ferida, Preocupação_outros, Sensível_discórdia,amigos, parentes, transtornos (estudados a partir do "Repertório Homeopático Essencial" do Dr. Aldo).
  2. Bubby - canino, Beagle - adulto, 7 anos na época da consulta. Animal operado duas vezes de hérnia de disco cervical, continuando com dores insuportáveis. Proprietária estava pensando em eutanásia, quando foi aconselhada (por telefone) a usar Hypericum 6CH e Arnica 3D, o que melhorou bastante o quadro, mas mantendo a dificuldade de deambulação. Durante a consulta, foi relatado que o chefe da família havia separado e ido embora meses antes. O animal diariamente desde então, ficava à sua espera na janela, na hora em que era costume ele chegar do trabalho. Cerca de 6 meses após o ocorrido, desenvolveu a hérnia cervical. Obstinado, caprichoso, histórico de cinomose quando pequeno, cego do olho direito (seqüela da cinomose), otites e dermatites de repetição. O que mais chamou a atenção foram os transtornos por nostalgia e mudança da circunstancia de vida "Repertório Homeopático Essencial" do Dr. Aldo).
    Foi administrado, de acordo com estes últimos sintomas, Causticum 30CH uma vez ao dia, por algumas semanas. O animal recuperou-se, e voltou a se movimentar normalmente.
  3. Nina - canino, Poodle - com 2 meses e meio na época da consulta. A proprietária estava seguindo o protocolo de vacinas, e o animal apresentou quadro inflamatório respiratório leve, seguido de alguns distúrbios intestinais, tratados como diagnóstico de giardíase após exame de fezes. Cerca de 3 semanas após estes sintomas, desenvolveu rapidamente um quadro de convulsões. No intervalo das convulsões, apresentava-se muito afetuosa, alegre, bem humorada e abnegada com todo o tratamento. Entretanto logo entrou em estado epilético e não respondia ao fenobarbital. A responsável é farmacêutica homeopata e mesmo sendo um domingo, conseguiu manipular uma dose de Carcinosinum 200FC, recomendada por indicação do Dr. Aldo frente aos sintomas. Temos em Carcinosinum: "Crianças estóicas, remédio para problemas graves em crianças dóceis demais"( "Homeopatia Pediátrica",Jacques Lamothe). A recuperação foi espetacular, e em horas saiu completamente do quadro neurológico (causado pela encefalite cinomótica). Nos dias que se seguiram fez um quadro de broncopneumonia (que é um grau anterior da doença e ela não havia desenvolvido plenamente, logo tendo a encefalite), mas o que chamou atenção foi que se transformou de "boazinha" em "pestinha", tornando-se implicante,obstinada e bagunceira. Foi prescrito então Bacillinum 200 FC, e saiu notavelmente bem do quadro.
  4. Belinda - canino, Fox paulistinha - 2 anos na época da consulta. Animal com 67 dias de gestação (o tempo normal para o parto em caninos é de 58 a 63 dias), apresentando abdome dilatado, doloroso, febril, secreção piosanguinolenta vaginal. Nesta ocasião, o atendimento foi feito no ambulatório da Faculdade de Veterinária da UFF, e neste dia não está estavam disponíveis nem o aparelho de RX nem o de Ultra-sonografia. Escutou-se então a história, onde foi relatado que quando estava com cerca de 45 dias de gestação, a cadelinha presenciou o atropelamento de outra cadela, sua amiga desde a infância. O fato a abalou muito, ficando deprimida durante muitos dias. Foi realizada então, antibioticoterapia, pois a infecção em curso mostrava-se muito perigosa. Além disso, Ignatia 30CH durante 5 dias seguidos e Sabina 6CH cada 2 horas. No dia seguinte, ela expeliu fetos com características de 45 dias, como se houvesse morrido na época do abalo emocional. Recuperou-se bem, voltando a ser alegre como antes e até onde se sabe, não teve mais problemas do Sistema Reprodutivo.
  5. Juca Cacau - canino, mestiço de Poodle e S.R.D. Com cerca de 1 ano na época da consulta. Tratado com alopatia desde bem novo por causa de dermatites de repetição. Foi recomendado então tosa bem baixa para facilitar medicação. A responsável, uma costureira, possui um grande espelho para suas clientes experimentarem as roupas, o qual ocupa parte de uma parede. Ao chegar da tosa, Juca olhou-se no espelho e assustou-se com sua imagem (antes ele sempre chegava da rua com sua bolinha na boca, e ficava "desfilando" em frente a este espelho). Desde este dia, desenvolveu um estado semelhante à Síndrome do pânico, com muitos medos sem razão, sobressaltos durante seu passeio na rua, medo peculiar de lixeiro, e descobriu-se depois que o medo era dos sacos pretos de lixo. A seguir, iniciaram-se convulsões, que não estavam sendo controladas com o fenobarbital. Stramonium não surtiu nenhum efeito. Então estudou-se os sintomas Cabelo_corta_transtornos por; Medo_preto objeto; agitação; convulsões ("Repertório Homeopático Essencial" do Dr. Aldo). Tentou-se Belladona 30CH, 2 vezes ao dia, com excelentes resultados, e em curto tempo foi suspenso o fenobarbital. Nunca mais desenvolveu convulsões.
  6. Barney - canino, Basset hound - 3 anos na época da consulta. História de muitos medos em casa, e na rua. Medo de carros, barulhos em geral, fumaça, mesmo o cheiro de fumaça. Do medo passou a ter atitudes violentas, por intenso ciúmes, não deixava os filhos se aproximarem da mãe, raiva sem controle, violenta. Manifestou também libido alterada e aumentada, subindo na perna das pessoas, e ameaçando-as. Foi então castrado, numa tentativa de ficar mais calmo. Não surtiu muito efeito, e uma noite, dormindo aos pés da cama do filho da proprietária, o mais novo (os demais sempre respeitou), avançou contra ele durante o sono, e o rapaz teve que ir ao hospital para dar vários pontos na cabeça. Os donos queriam então sacrificá-lo. Tentou-se como último recurso a Homeopatia. Os sintomas colhidos do "Repertório Homeopático Essencial" foram: Raiva_violenta, Ciúme_com_violência, Insulta, Abusivo, Rudeza, Medo_crises_de pânico, Selvageria, Contradição intolerante à, Lascivo, Acalmado não pode ser. Foi prescrito Hyosciamus 200Fc em dias alternados. Após 1 mês, o cão se mantinha estável. Recomendou-se então uma dose semanal. E desde então, mantém-se sem alterações.
  7. Kiko - felino, S.R.D. - 11 meses na época da consulta. A queixa clínica foi uma gengivite grave e persistente, cuja saliva era abundante, sanguinolenta e mal cheirosa, manchando os lençóis quando dormia. Devido ao problema, ele estava mastigando mal e emagrecendo. Em gatos, esta afecção pode estar ligada à viroses, como Calicivirose, Leucemia infecciosa felina ou Virus da imunodeficiência felina. Pode também estar ligada à alterações auto-imunes. Não foi possível detectar qualquer fator mental desencadeante do quadro. Foram colhidos os seguintes sintomas : Manso, muito brincalhão, mas bruto nas brincadeiras, além da gengivite, apresentava seborréia na cauda. Sintomas repertorizados do "Repertório Homeopático Essencial" : Vivaz, Afetuoso corresponde ao afeto, inflamação_gengivas. Foi prescrito Phosphorus 12 CH 2 vezes ao dia. Após alguns dias de agravação, o quadro retrocedeu até o desaparecimento.
  8. Nick - canino, Poodle - 6 anos na época da consulta. Apresentando dermatite atópica, com alopecia em várias áreas do corpo e acantose nigricans em regiões axilar e inguinal. Coçava sem cessar, e é hipersensível aos medicamentos alopáticos, piora sempre com eles. Afetuoso, chorão, busca brincar com crianças, fica "emburrado" se todos saem e passam da hora de voltar cotidianamente. Fica sentido, magoado por dias. Gosta muito de passear e é sempre muito dócil na rua, com pessoas, cães pequenos e gatos, porém, enfrenta os cães grandes. Se tem visitas em casa, fica vigiando os pertences da dona, bolsa, casaco, etc. Não morde nunca, mas não quer que mexam. Foi tentado Psorinum e Natrum muriaticum com resultados parciais. Mas foi a partir da administração de Pulsatilla 30CH diariamente por um mês que recuperou-se do problema dermatológico. As características emocionais permanecem, mas há quatro anos se mantém estável, sendo necessárias algumas doses esporádicas de Pulsatilla na mesma dinamização (30CH).
  9. Duke - canino, Poodle - 2 anos na 1a consulta. Compleição frágil, criptorquida, não é muito sociável e só dá atenção à dona, e é esse o problema. Obssessivo, vigia todos os passos dela, ela não pode nem falar ao telefone que ele fica latindo. Fica vigiando a porta do quarto de dormir para ninguém entrar, nem os filhos. A responsável às vezes tem de viajar a trabalho, e ele fica muito deprimido, e é quando tem as crises alérgicas. Se os filhos chegam muito tarde da rua, além da hora, reclama, acha ruim. Ninguém pode mexer em seus brinquedos. Na rua, brigão com todos os cães machos. Porém, apresenta muito medo das pessoas na rua. Fica muito ansioso. Já ocorreu de ser tosado muito baixo uma ocasião e passou mal ao sair da loja, com desmaio e hipotensão. Muito alérgico, principalmente à pulga. Episódios de prurido localizado, decorrentes de alergias (por exemplo, pulgas), com lesões erosivas que sangram. Foi adquirido em loja de produtos agropecuários, onde havia gaiolas horríveis e ele estava muito maltratado numa delas. Foi atendido pela 1a vez após ter desmaiado no final de banho e tosa, onde tosaram-no bem baixo, sem saberem que ele era alérgico à lâmina da máquina. Foi prescrito nesta ocasião Ignatia 30CH durante alguns dias e recuperou-se. Depois a responsável voltou e deu mais detalhes de seu comportamento, conforme descrito acima. Desde então tem estado bem, ora tomando Magnésia carbônica (doses esporádicas de 30CH), ora Amonnium carbonicum (da mesma forma), reagindo bem a ambos, e não conseguimos ainda identificar qual deles seria o mais similar. Também já tomou Magnésia muriatica e Amonnium muriaticum, e sempre melhora, tanto do humor quanto dos problemas de pele. Está em estudo ainda.
  10. Bob - Canino, S.R.D., com aproximadamente 3 anos. Foi recolhido das ruas e adotado para viver em uma casa de veraneio em Marica/RJ, onde os proprietários ficavam só nos finais de semana. Nestas ocasiões também iam os filhos e netos. Algum tempo depois de instalado, Bob começou a adquirir comportamento neurótico, correndo incessantemente atrás do rabo, por muito tempo, ou latindo para o reflexo da água da piscina na parede, e pulando ansiosamente sobre as crianças, mordendo-lhes a roupa, quando estas estavam jogando sinuca e a sombra dos tacos faziam desenhos contra a parede. O dono ficou com medo que ele ficasse "louco" e queria sacrificá-lo. Conversando durante bastante tempo, a senhora que o adotou lembrou que no início ele corria atrás do rabo quando aviões passavam sobre a propriedade. Se ele passasse em outra rota, ele não ligava. Também começou a ficar muito incomodado quando pombos ou pássaros voavam sobre o espaço aéreo da casa. Nada fazia se eles voavam sobre o terreno do vizinho. Havia dificuldade de medicá-lo, então foi prescrito Argentum nitricum 12CH na água de beber, diariamente (achamos que ele pudesse ter medo do avião cair sobre ele, desencadeando uma série de sintomas comporamentais). Soube muitos meses depois que ele estava muito mais calmo, e mantinha-se bem na família.
  11. Billy - Canino, poodle, com 8 anos. Proprietária, viúva, procurou-nos em "desespero de causa", pois havia se casado novamente e estava impossível a convivência em casa. A senhora casou-se novamente, e o cachorrinho espreitava o novo dono da casa em toda parte, atacando-o vigorosamente se ele se distraísse de olhar por trás das portas, sob a maquina de lavar ou sob a cama. Ainda por cima, a pobre senhora não conseguia aproximar-se para dar nenhum remédio. Ao exame clínico, tendência para obesidade, só foi possível o exame com mordaça, alguma sensibilidade renal. Calorento e sedento, "pavio curto", afetuoso com a dona, DESDE que ela não o contrariasse. Um pouco temeroso na rua, não se metia com os outros cães, DESDE que eles não se aproximassem muito. Se ralhasse com ele, ficava muito zangado. Prescrito Nux vomica 30CH na água, inicialmente diariamente, depois semanalmente, mensalmente e se houvesse alguma circunstancia que piorasse o humor. Nunca adoeceu desde então, e ela relata que só coloca o medicamento na água hoje em dia quando sabe que terá visitas, pois sabe que assim ele terá um soninho e não fará nada.
  12. Eqüino - PSI (Puro Sangue Inglês), aproximadamente 400 kg, fêmea. Apresentando obstrução inflamatória nasal principalmente à esquerda recorrente, impedindo sua atuação como cavalo de salto. Já foi tratada com vários antibióticos, corticóides, lavagens intra-nasais, com pouca melhora. Endoscopias mostram que não há pólipos ou tumorações, apenas edemaciação das membranas a nível de turbinados e secreção esbranquiçada espessa e muito aderida. O quadro se instalou quando saiu de local onde vivia livre para ser "cavalo de hípica", a maior parte do tempo dentro de uma cocheira. Apresentando comportamento de ficar "fuçando" o chão o tempo todo, mordiscando os componentes da "cama" (material a base de palha e feno que é usado para forrar a cocheira, protegendo de contusões e da umidade da urina). Segundo o Repertório do Dr. Ariovaldo teremos os sintomas do capítulo Nariz e Olfato : Obstrução_esquerda; Nariz, obstrução_secreção,com; Inchaço. Considerado o sintoma Abandono, pois nitidamente adoeceu quando a mandaram para a Hípica, saindo de sua vida boa e livre. Não foi visto pessoalmente o animal, os dados foram transmitidos por colega. Pela conversa com ele, pensou-se em Magnésia muriatica, pelos componentes de abandono, e os sintomas de sinusite. Foi prescrito então Magnésia muriatica 30CH 3 tb dias alternados, com bons resultados.
  13. Eqüino - PSI (Puro Sangue Inglês), de salto, fêmea, 480 kg, moradora da Hípica da Lagoa, Rio de Janeiro. Colega veterinário pediu-nos ajuda, pois é filha de campões de salto, mas adquiriu fama de obstinada, por recusar-se a saltar os obstáculos, derrubando várias vezes o jockey. Na lida do dia a dia, mansa, de caráter sanguíneo, inquieta, boa saúde, todo o sistema osteoarticular perfeito. Considerando que poderia ser medo, ou do próprio salto, ou medo de falhar, aconselhamos Silicea 200FC, doses semanais por 8 semanas. O resultado foi muito bom, pois antes dos 2 meses já estava saltando com muito bom desempenho.
  14. Brenda - Canino - SRD, fêmea, com cerca de 1 ano na época da consulta. Adquirida na rua, abandonada, com cerca de 3 meses, com infestação maciça de pulgas e carrapatos, anêmica, portadora de hemocitozoários (Erlichia canis). A erlichiose é uma enfermidade infecciosa intracelular, com especificidade para as células de defesa, em especial os polimorfonucleares e monócitos, levando a uma imunodeficiência, facilitando todo o tipo de infecções oportunistas, e pode levar a aplasia de medula. Brenda não respondeu a qualquer terapia tradicional, após meses tomando antibióticos específicos (vários tetraciclínicos) e fazendo um quadro de hipoplasia medular não responsivo a anabolizantes ou acido fólico, e medicação homeopática (ferr-p, carbo-an, ign, nat-mur e sep, por seu caráter tristonho e reservado) Foi então realizada coleta de sangue total e feito autoisoterápico do mesmo na dinamização 6CH, e foi a partir daí, após a 2a semana de administração, que começou a responder a toda a terapia, com melhora expressiva já nos primeiros dias de tratamento. Durante um ano continuou tomando ao autobioterápico, com curvas diárias de temperatura e provas laboratoriais freqüente, sempre com expressiva melhoria. Ao final de 1 ano do tratamento, começou a apresentar crises hipotérmicas, quando foi aconselhável a suspensão da medicação, o que prontamente normalizou a temperatura e manteve-se bem, sem recidivas. Durante os anos posteriores a este tratamento, vem respondendo a eventuais problemas dermatológicos, ora com Sépia 30CH, ora com Silicea 12CH, ambos com boa resposta, sem termos chegado ainda a conclusão de qual seria o mais similar. É importante assinalar que o tratamento com autoisoterápicos, embora uma isopatia, funcionou repetidas vezes em outros casos semelhantes, com a mesma e outras enfermidades.

Dra. Maria Leonora Veras de Mello
Médica Veterinária
Clí
nica Geral e Homeopatia
Problemas em Fisiologia da Reprodução e Endocrinologia
Colpocitologia
CRMV-RJ/2165

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